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Homenagem do Instituto Educacional Sonhos e Mimos ao Dia das Mães

06/05/2010

NESTE DIA DAS MÃES, eu queria homenagear essas mulheres guerreiras que sobem o morro agarradas aos filhos, como se tivessem medo que eles crescessem e se soltassem num mundo inóspito, como se quisessem protegê-los do que está por vir.

Não há homens por perto, para fazerem a gentileza de levar as sacolas ou de ajudar a aliviar a carga de estar só com filhos e compras no meio do morro.

Não, elas estão sós, mas sobem o morro em plena forma, sem resfolegar. A ginástica é diária, mais de uma hora dessa academia do sobe e desce com os filhos pequenos nos braços e muitas outras sacolas das promoções dos supermercados. Elas dão passos firmes, com pernas sólidas como troncos de árvores antigas. Os filhos no colo parecem galhos agarrados como raízes.

Neste Dia das Mães, queria também homenagear as adolescentes grávidas que estão necessitadas de colo. Elas precisam mais de mãe e de canção de ninar do que de filhos precoces. Neste Dia das Mães, queria falar sobre as filhas que, entre todas, são escolhidas para a tarefa de cuidar das mães que chegaram ao entardecer da vida. A seleção é natural, não há eleição, mesa redonda, voto na urna. Simplesmente, elas assumem o papel de mães de suas mães e não conseguem quem alterne com elas. Não há rede de proteção para filhas que são mães de suas mães. É um papel solitário, mas elas são as únicas que conseguem abrir os braços e o coração para as mães que envelhecem. São filhas que, neste momento, estão estendendo os braços para as mães como se fossem bengalas.

Preciso falar ainda das mães que partiram antes deste domingo dedicado a elas e que deixaram os filhos adultos órfãos. Apesar de tudo, eles vão ter que prosseguir sozinhos nesta tarefa árdua de viver. Vão ter que se contentar com a ausência física e de ver a mãe nas nuvens do céu, no arco-íris, nas borboletas azuis que voltaram a aparecer depois de tudo.

Às mães, cujos filhos estão distantes, mas que continuam a morar dentro de seus corações. Às mães que estão imóveis como cálices, mas que transformam em vinho o milagre da vida. Às mães de filhos especiais que têm de reaprender lições de voo e de salto no escuro. Às que nunca foram mães biológicas, mas que acolhem os filhos que o mundo não quis. Às mães que adotam filhos abortados por outras mulheres. Filhos jogados no lixo, na lagoa, na porta de outras casas.

Eu queria saber de onde vem a força de mães que perderam filhos em acidentes de carros, nas estradas enganosas do caminho. Queria aprender com essas mães como elas voltam a respirar depois de tudo. Como conseguem ar quando o mundo acaba para elas.

Queria aprender a ser simples, a não pensar tanto, a não ficar o tempo todo zumbindo como uma abelha na orelha do filho. Queria aprender a ter e a dar limites, a dizer não, mesmo que o sim fique preso na garganta e doa até poder sair. Queria ouvir os argumentos de outras mães que já aprenderam que o não às vezes funciona mais do que o sim.

Queria saber como é que certas mães dão o que podem dar e recebem em dobro dos filhos. Queria dar menos e receber o mesmo tanto, mas receber de volta o que me custou tanto amor, suor e dor. Queria viver em paz, depois de ter parido um outro ser e de pensar sempre que a missão nunca está cumprida, que os filhos precisam de mães para sempre.

Queria ser menos antenada, informada e atenta, para não saber de certas coisas que a maioria das mães tenta não saber. O pior é que eu sei e vivo torturada por saber tanto, por entender sentimentos, por traduzir emoções e decifrar olhares, mesmo os enviezados.

Queria dizer às mulheres que ainda não são mães nem querem ser que há muitas formas de acolher e de amar, que há muitos projetos a realizar, que o mundo está precisando dessa vibração.

Fonte: Déa Januzzi. Jornal Estado de Minas - maio/2009 (Adaptado).

São múltiplos os caminhos e as caminhadas maternas. Mas que neste dia, que escolheram seu, seus passos sejam cadenciados pela alegria, pela esperança, pelo amor.

Equipe de Educadores